29 de jul de 2017

Dicas Sobre Criação de Cavalos



BELEZA
- A beleza do equino refere-se à sua aparencia geral, a condição do pêlo, o estado físico, toalete, maquiagem, cuidados com os cascos.

- Cavalos magros já entram em desvantagem no julgamento de conformação, pois apresentam menos qualidade na forma das partes do tronco.

- Os cavalos obesos tendem a apresentar excessos de tecido adiposo ao longo da borda superior do pescoço, garupa e base da inserção caudal. A avaliação da conformação será sensivelmente prejudicada, pela falta de definição na forma e harmonia entre as regiões.

- O pêlo, quando longo e grosseiro, interfere na avaliação da conformação, principalmente na ligação cabeça/pescoço, inserção pescoço/tronco, qualidade da sustentação muscular na região superior e na musculatura da garupa.

- Diariamente, os animais de exposição devem ser raspados e escovados. Crina e cauda devem ser penteadas.

- O pêlo adquiri melhor aparência nos animais embaiados

- Pode ser fornecido em torno de 5 a 10 ml de oleo de milho diariamente na ração, ou diretamente na boca por meio de uma seringa. Este produto melhora a condição do pêlo.

- Durante o inverno há um crescimento maior dos pêlos, que servem como proteção contra o frio e a umidade

- Os banhos devem ser dados sempre após os exercícios, utilizando shampoo apropriado e condicionador de pêlo.

- A toalete objetiva o destaque de determinadas regiões. Envolve a aparação dos pêlos nas regiões das narinas, boca, mandíbula inferior, olhos, orelhas, boletos, coroa dos cascos, tosquia do corpo, tosa do topete, da crina, desbaste da cauda.

- A prática rotineira da toalete é bastante nociva ao equino. A recomendação é que seja feita somente nos animais destinados às exposições e, mesmo assim, poucos dias antes do inicio do evento. Vejamos alguns dos principais danos à saúde:

- Tosquia do pêlo: quando feita nos períodos de frio ou chuva, deixa o animal mais sensível às alterações climáticas e às infestações por ecto-parasitas;

- Aparação da cauda: o animal perde o único meio de espantar mosquitos e outros insetos;

- Corte dos pêlos da orelha: perda da proteção contra umidade, predisposição às micoses;

- Corte dos pêlos das narinas e boca: afeta negativamente os sentidos do olfato e tato;

- Corte dos cílios: perda da proteção dos olhos

- Corte do cabelo do machinho: Denomina-se de machinho os pêlos que se estendem por trás dos boletos. Sendo aparados, a água da chuva, ou de banhos freqüentes, escorre diretamente para a região posterior da quartela, deixando-a úmida, o que favorece o desenvolvimento de micoses

-A maquiagem objetiva realçar a beleza do animal. Envolve a aplicação de óleos para conferir brilho no corpo, na cauda, na crina, região bucal, pavilhão das orelhas. Em algumas raças, é pratica comum aplicar graxa de brilho nos cascos.

- Os cascos devem ser adequadamente aparados e, se for o caso, fazer o ferrageamento. Quando aparados excessivamente ou na véspera da viagem, haverá risco do animal claudicar, pela maior sensibilidade dos cascos após as aparações, principalmente se for levado em conta que o piso nos parques de Exposições é de asfalto.

ALIMENTAÇÃO
- Acesso a pastos de qualidade, sendo a melhor graminea para pastejo o Tifton;

- O capim verde picado, oriundo das capineiras, ou de pastos de Tifton, Coast Cross, Tangola e outros, deve ser cortado no ponto ótimo de crescimento (altura em torno de 1,50m), a fim de preservar o valor nutritivo ideal. O capim velho e fibroso pode provocar distúrbios digestivos. O capim muito novo pode provocar diarréia;

- A quantidade de volumoso deve ser, no mínimo, 5kg por dia;

- O capim picado não deve permanecer no cocho mais do que 12 h, para evitar a fermentação e o consequente risco de distúrbios digestivos. As cólicas ainda representam a causa numero 1 de mortes na espécie equina;

- Não é recomendado misturar ração ao capim picado. Obedeça um intervalo de, pelo menos, uma hora, entre o consumo do volumoso e o da ração concentrada;

- É mais indicado o fornecimento de feno de qualidade para animais confinados, especialmente os de Tifton e Alfafa;

- Quantidade de feno/cabeça/dia: um fardo de 10 a 12 kg de feno de Tifton é suficiente para alimentar diariamente até dois animais adultos ou três potros, pressupondo que a dieta também inclui ração concentrada e acesso a pasto durante um período do dia ou da noite;

- A ração concentrada deve ser de fabricante idôneo, sendo recomendado dividi-la em duas ou três vezes / dia - manhã, meio-dia, tarde;

- O total de consumo/mês é relativo ao peso. Para cada 100kg de peso, fornecer de 0,5 a 1,0kg de ração concentrada.

- Não fornecer quantidade superior a 2,5 kg de ração concentrada por vez;

- Para potros, entre 1 a 2 anos, a média de consumo varia de 2 a 4 kg/dia, dependendo da raça. Para animais adultos, a média varia de 4 a 6kg/dia;

- Acesso permanente a água limpa e fresca

- Limpeza diária de bebedouros e cochos;

- Livre acesso a mistura mineral balanceada e sal comum.

- Antes, durante e logo após o transporte, não fornecer ração concentrada;

- Obedeça um intervalo de pelo menos uma hora entre o fornecimento de ração concentrada e o início e término dos exercícios físicos intensos;

- Durante o período de exposições, programar o fornecimento da mesma alimentação recebida pelos animais no haras.

CUIDADOS COM OS CASCOS
- Limpar diariamente os cascos, especialmente o sulco e comissuras laterais da ranilha, a fim de prevenir afecções, sendo as mais comuns a podridão da ranilha e as brocas de sola ou de muralha;

- O casqueamento deve ser iniciado a partir dos 2 meses de idade, principalmente quando for identificado algum tipo de desvio de aprumos. Na foto, notar a retidão dos aprumos posteriores do potrinho, em relação aos aprumos da mãe.

- O casqueamento deve ser conduzido em uma periodicidade mensal, podendo ser de tres tipos:

- O casqueamento de manutenção objetiva aparar os excessos de crescimento, mantendo o formato natural e o equilíbrio de sustentação dos cascos

- Para aumentar a eficiencia do casqueamento podem ser utilizados o angulador de cascos e o angulador das espaduas. O mesmo ângulo medido na inclinação das espaduas deve ser verificado na inclinação das quartelas após o casqueamento dos cascos anteriores

- O casqueamento corretivo tem por finalidade corrigir algum tipo de desvio de raio ósseo ou do direcionamento de cascos, sendo o mais frequente o desbalanceamento médio-lateral, que se caracteriza por um crescimento maior de um lado do casco.

- O casqueamento ortopédico tem por finalidade corrigir algum tipo de traumatismo ( ex.: fissura de muralha) ou de afecção ( ex.: doença do osso navicular)

- O ferrageamento, deve ser efetuado em caso exclusivo de necessidade, seja para proteção dos cascos de animais que trabalham em terrenos pedregosos, para correção de desvios muito graves de aprumos, problemas ortopédicos ou para correções de irregularidades na locomoção. O ferrageamento deve ser conduzido a cada 45 dias.

DOMA
- O bridão é uma embocadura para iniciar a doma de sela. 
- Existem três tipos de bridões, de acordo com o grau de severidade: ação branda, moderada ou severa. 
- O charreteamento, também chamado de redeamento, é um método de domar de baixo, com o auxilio de rédeas longas, conduzindo o animal ao passo e na marcha, ou trote. 
- A doma de sela é dividida em doma de baixo e doma de cima. Todo o processo dura, em média, de 60 a 90 dias. Em seguida, o animal é introduzido em um programa de adestramento avançado, passando a ser treinado de acordo com a atividade atlética a ser desempenhada. 
- Cada animal tem treinabilidade própria, muito influenciada pelo grau de inteligência e temperamento de sela. 
- Por temperamento de sela entende-se a disposição, vontade de trabalhar, respostas rápidas e eficientes aos comandos de equitação. 
- Por comandos de equitação entende-se os principais e auxiliares. Os primeiros são as rédeas, assento e pernas. Os segundos são a tala e esporas.

REPRODUÇÃO
- A égua é uma fêmea poliestro estacional. Os cios férteis concentram-se nas estações da primavera e verão

- O cio tem duração média de 7 dias, com a ovulação ocorrendo nas ultimas 48h. Assim, as cobrições devem ser feitas a partir do terceiro ou quarto dia do cio.

- A identificação do cio deve ser feita com um rufião apropriado, com desvio de pênis, solto com a éguada. Poneys e Piquiras não devem ser usados para este trabalho, pois as éguas de médio a grande porte geralmente não gostam destes pequenos

- Não dispondo de um rufião, utilizar qualquer cavalo inteiro, à exceção do próprio reprodutor do haras, a fim de se evitar problemas psicológicos ou até mesmo de acidentes.

- Um reprodutor não deve dar mais do que dois saltos por dia. E mesmo assim, descansando um dia da semana. A alimentação do reprodutor em serviço reprodutivo intenso deve ser reforçada 30 dias antes do inicio da estação de monta e ao longo de toda a estação.

- A prenhez já pode ser diagnosticada através de ultrasonografia a partir de 18 dias após a fecundação

- Mais de 90% dos partos ocorrem no periodo noturno, sendo que apenas 1 a 2% são partos distórcicos. A égua parturiente não deve ser incomodada, permanecendo em local limpo, seco, sem riscos de acidentes.

- As gestações gemelares quase sempre são inviáveis. O resultado será o aborto ou a morte posterior de um ou ambos os produtos.

TREINAMENTO PARA PASSEIOS E CAVALGADAS

Passeio e cavalgadas apresentam basicamente o mesmo significado, o lazer oferecido pelos chamados cavalos de sela. A diferença pode ser que no passeio, a distância do percurso geralmente é curta. Nas cavalgadas, a distância de percurso é maior. Nem por isso, uma cavalgada deixa de ser um passeio, e vice- versa. Este é o segmento que mais cresce no mundo inteiro, o uso do cavalo como trail horse, como pleasure horse.
Preparar um cavalo para tal finalidade não é difícil. Basta treinar em ambientes naturais. Uma regra básica é que o cavalo deve permanecer quieto ao ser montado e desmontado. O treinador não prepara o cavalo pensando em si, mas em qualquer pessoa, incluindo os leigos em equitação. Outra regra básica: se o cavaleiro/amazonas é iniciante, deve conduzir a montaria com comandos diretos de rédeas, no bridão. Portanto, um cavalo de cavalgadas, ao ser terminado seu adestramento avançado no freio, deve ser trabalhado também no bridão, para atender diferentes tipos de usuários.

Algumas aptidões a serem treinadas no cavalo de passeios e cavalgadas:

- Aprender a abrir e fechar corretamente porteiras;
- Permanecer quieto quando amarrado a troncos de arvores, estacas de cerca, etc. ;
- Ser resistente e bem disposto;
- Não relutar em atravessar rios, riachos, córregos, pontes, etc.;
- Ao passo, marcha, ou trote, subir com vigor e descer com equilibrio;
- Saltar valetas, subir e descer barrancos íngremes;
- Andamentos regulares ao longo de trilhas sinuosas;
- Ser regular nos andamentos naturais;
- Ser eficiente em cada variedade de andamento, de acordo com a velocidade.

Portanto, o treinamento consiste em aquecer corretamente o animal e trabalhar fora de redondéis, pistas, estradas. Pelo Método LSA de Adestramento, um cavalo que tenha passado pelo adestramento básico ao longo de 60 dias, com mais 30 dias estará finalizado o seu adestramento avançado como cavalo apto a uma performance correta nos passeios e cavalgadas.

TREINAMENTO PARA CONCURSOS DE MARCHA

Após o cavalo de marcha ter passado pelo adestramento básico, seguindo o Método LSA de Adestramento, o treinamento para concursos de marcha será por demais facilitado. O treinador precisará apenas de corrigir detalhes do estilo, buscar incrementos no rendimento da marcha, estabilizar o diagrama da marcha, e o aspecto mais demorado que é o desenvolver da resistência, para suportar provas de marcha de 40 minutos de duração em um ritmo intenso de marcha.

Os ganhos de resistência devem ser moderados, a cada semana, jamais aumentando simultaneamente a distancia e o tempo de treinamento. O cavalo estará bem condicionado para competir quando suportar bem um treinamento de uma hora de duração, em dias alternados. O melhor método é o treinamento intervalado, alternando seções de exercício de baixa, média e alta intensidade.

Os exercícios de pista devem ser intercalados com exercícios de estrada. A natação é um bom exercício para desenvolver a capacidade respiratória e circulatória, além de proporcionar um rápido fortalecimento muscular, especialmente dos músculos torácicos, das espáduas, braços e ante-braços.

O galope lento é um bom exercício para melhorar o rendimento da marcha, vigor, impulsão, equilíbrio dinâmico. O passo livre é um exercício imprescindível para relaxar o animal, recuperar as taxas respiratórias(15 fluxos/minuto) e cardíacas (30 batidas/ minuto ).

Os exercícios de marcha em figuras de serpentina, de oito, círculos à direita e à esquerda, favorecem o equilíbrio e a coordenação da marcha, desenvolvem a força de impulsão, fortalece e flexiona a musculatura geral – pescoço, tronco e membros, as articulações, tendões e ligamentos. As transições de andamentos contribuem para um melhor posicionamento da cabeça ( força a flexão da nuca ) e o fortalecimento da musculatura que se distribui ao longo da grande região dorso-lombar.

O aquecimento, durante 5 minutos, e o desaquecimento, após o trabalho, são essenciais para manter a integridade do animal. Muitos animais são arruinados na integridade muscular caso estas duas fases não sejam adequadamente conduzidas. O melhor andamento para a fase do aquecimento é o passo médio e a marcha reunida. Como o animal geralmente sai da baia com reservas de energia, pode não encarta o passo médio, apenas de contato de rédeas, permanecendo por um ou dois minutos no passo reunido. Quanto ao desaquecimento o melhor andamento é ao passo livre. Não conseguindo, o passo médio é a segunda alternativa.

TREINAMENTO PARA ATRELAGEM

Não é difícil treinar um cavalo marchador em atrelagem. Obviamente, o primeiro passo é adestrar de sela, consolidando a qualidade global na marcha. Em seguida, o treinamento para atrelagem é iniciado utilizando o selote, ou cilha, do conjunto de charreteamento utilizado no adestramento inicial de sela. Um tronco, não muito pesado, deve ser puxado de cada lado, com a corda presa em cada uma das argolas laterais do selote. O andamento nos primeiros dois, ou três dias, conforme sejam as reações de cada cavalo, deve ser o passo. Em seguida, mas dois dias, em média, na marcha. Na Segunda semana, a arreata completa para atrelagem de charrete deve ser usada, repetindo o treinamento ao passo e marcha durante dois dias. Estando o cavalo calmo, a próxima etapa é prender os varais da charrete, cabresteando o cavalo sem o condutor, ao passo e depois na marcha, durante mais dois dias. Daí, estaremosna terceira semana do treinamento, quando o condutor poderá subir na charrete e charretear. No primeiro dia é recomendado que o auxiliar puxe o cabo do cabresto, para prevenir risco do animal disparar, assustado.

Tendo o cavalo passado pelo Método LSA de Adestramento deverá estar respondendo aos comandos vocais de VIRAR!,ÔÔHA!, FASTA!, o quem em muito facilitará o aprendizado no treinamento de atrelagem.

TREINAMENTO PARA PROVAS FUNCIONAIS

O treinamento para provas funcionais consiste em apresentar o percurso ao cavalo, inicialmente ao passo reunido ou médio, seguindo-se o treinamento ao passo alongado. Quando o cavalo concluir adequadamente o percurso, deve ser solicitada a marcha curta, seguindo-se a média e a alongada. O galope, em velocidades progressivas, somente deve ser solicitado quando o animal estiver executando o percurso corretamente ao passo e marcha. Geralmente, o grau maior de dificuldades será na conclusão correta dos saltos, que em hipismo rural são sobre fardos de feno ou tambores, volteios de 360 graus em balizas e tambores e o recuo. Para o treinamento de provas funcionais é essencial que o cavalo esteja executando adequadamente todos os andamentos naturais, variações de velocidade, transições, esbarro, arrancada e recuo. Este aprendizado deve ser consolidado antes de se apresentar os percursos de provas funcionais ao animal. Primeiro, devem ser ensinados os exercícios mais fáceis no percurso.

Diversos sinais emitidos pelo cavalo podem auxiliar a condução do treinamento no haras, na apresentação e avaliação em julgamento.

Orelhas voltadas para trás: é o sinal mais evidente de raiva, intenção de morder, escoicear, manotear, corcovear;
Orelhas permanentemente móveis: indicativo de cavalos muito ativos, árdegos, briosos, nobres, mas também pode ser temperamento nervoso, associado à má índole;
Orelhas caídas: cansaço, sonolência, doença ou quando recebem sedativos fortes;
Orelhas rígidas: quando recebem estimulantes muito fortes (dopping);
Apenas uma orelha voltada para o lado: apreensão, insegurança, receio
Olhar sem brilho: fadiga, doença;
Olhar fixo, com orelhas armadas: algo desperta a atenção, podendo gerar curiosidade ou medo;
Cauda erguida: sinal de excitação, reserva acumulada de energia;
Cauda agitando ( cabear ): sinal de inquietação, temperamento nervoso, dor;
Cauda estirada ( cambitar ): pode ser fadiga ou má posição natural da cauda
Cauda em arco: excitação, alegria;
Cauda em arco invertido: cavalos árdegos, briosos;
Cauda contraída: medo ou dor
Cauda enrolada, lançada sobre o lombo: alegria ou excitação
Movimentos elevados dos membros: sinal de excitação;
Abrir e fechar a boca e/ou bater lábios: vício ou sinal de rejeição à embocadura;
Oscilação da cabeça: rejeição à embocadura, temperamento nervoso;
Passo retraído: pode ser indicativo de desequilíbrio dinâmico (desvio grave de aprumos) ou de inquietação, excitação;
Sudorese excessiva: fadiga, condicionamento físico inadequado;
Suor de coloração branca leitosa: pode indicar condicionamento inadequado;
Baixar cabeça: fadiga;
Encapotar: flexão excessiva da nuca, baixando a cabeça,
geralmente é indício de rejeição à embocadura ou de um efeito de embocadura severa;
Pendular cabeça: inquietação, temperamento indócil
Elevar a cabeça: rigidez na nuca, rejeição à embocadura ou o próprio efeito elevatório da embocadura.
CONSIDERAÇÃO FINAL – A QUALIDADE DE UM CAVALO ATLETA ESTÁ EM
SEUS CASCOS, APRUMOS, ESTRUTURA, CORAGEM, BRIO,
TREINABILIDADE, DOCILIDADE. Cabe ao treinador a obrigação de
respeitar as individualidades e explorar o máximo do potencial de cada animal. O animal deve ser adestrado para qualquer pessoa montar




25 de jul de 2017

Manejo na Criação dos Equinos (Cavalo)



SISTEMA DE CRIAÇÃO
Antigamente, o sistema predominante de criação era o extensivo. A éguada era mantida em grandes extensões de pastos nativos. As crias permaneciam ao lado de suas mães até o parto subsequente, quando eram forçosamente apartadas pelas mães. Em muitas fazendas, até mesmo o reprodutor era mantido com as éguas a campo, em sistema de monta natural. As taxas de fertilidade eram boas, com economia de mão de obra, mas os reprodutores sofriam muitos acidentes. Como as pastagens eram nativas, os animais passavam por graves deficiências nutricionais, o que afetava, principalmente, o crescimento e a reprodução. Não havia o hábito de suplementar os animais durante os meses de estiagem e os piores pastos eram destinados aos equinos. As terras de cultura eram destinadas às lavouras, gado de leite e/ou gado de corte.
A primeira evolução no sistema extensivo foi o manejo de dividir os animais nos pastos de acordo com cada categoria: potros, potras, éguas paridas, éguas solteiras, éguas gestantes. A estação de monta foi adotada, concentrando as cobrições, e parições, na segunda metade da primavera e durante todo o verão. Quanto maior o fotoperíodo, mais fértil tende a ser a égua. As éguas gestantes eram mantidas nos melhores pastos. E para poupar a égua parida, os potros passaram a ser apartados em grupos, por volta dos 6 meses de idade. Mas os criadores antigos eram muito resistentes quanto à necessidade de suplementar os animais durante o período seco, como medida preventiva da perda de peso, e para manter a éguada prenhe em bom estado. Quando não havia como evitar estes gastos extras, nos casos de animais muito magros, alguns criadores utilizavam silagem, cana picada, ou rolão de milho. 
Com o avanço dos estudos na área de nutrição equina e do melhoramento genético das raças, possibilitando a produção de cavalos de maior valor, o sistema de criação extensiva foi substituído pelos sistemas intensivo e semi-intensivo. No primeiro os animais são mantidos em confinamento, saindo das baias apenas para exercícios. No segundo, os animais são mantidos confinados nas baias durante o dia e soltos à noite. Outras alternativas são soltar durante o dia e prender a noite, mantendo os animais sob vigilância, ou soltar apenas parte do dia, manhã ou tarde. 
Outra característica do presente é que um grande numero de haras são montados em áreas pequenas, o que inviabiliza o sistema extensivo de criação. Ainda assim, a recomendação é para prender somente os animais destinados às exposições e vendas. Garanhões devem ser mantidos em baia anexa a piquete. Éguas devem ser mantidas em piquetes. O confinamento onera a criação; gera estresse mental, tornando os animais inquietos, nervosos; afeta negativamente a fertilidade, pela inibição do fotoperiodo; desenvolve animais obesos, de baixa resistencia, prejudicando o desempenho funcional. O melhor sistema é o semi-intensivo.

Conheça o Método LSA de Adestramento.


Após vários anos de teoria e prática na lida com equideos, este autor desenvolveu um novo método de adestramento de cavalos, chamado de Método LSA de Adestramento, dividido em básico e avançado, para cada uma das fases do adestramento de cabresto e do adestramento de sela.
O termo doma foi substituído pelo termo adestramento, por ser este mais indicativo da lida com animais racionais. Ao contrario, domar guarda relação com a lida de animais selvagens. O termo adestramento sugere mais refinamento no trato com o cavalo.
A exemplo do método da doma racional, o Método LSA de Adestramento tem na sua essência o uso da não violência e a integração plena entre treinador / cavalo. A diferença principal dos métodos usuais de doma racional é a eliminação do uso do bridão durante a fase inicial do adestramento de sela, chamada de adestramento básico.

Durante a fase do adestramento de baixo, denominada de charreteamento, é utilizado o buçal, um equipamento de origem colombiana. Na fase seguinte, do adestramento de cima, é utilizado a barbada, também de origem colombiana, uma versão avançada de um hackamore, de uso corriqueiro pelos treinadores do cavalo Quarto de Milha.

Buçal, equipamento utilizado para o charreteamento. A cabeça do cavalo é totalmente envolvida, acionando simultaneamente todos os pontos de controle. Acima, através da testeira, que se liga a uma focinheira com proteção de feltro, exercendo pressão sobre a nuca e a região do chanfro, próximo à região de transição com o focinho. Abaixo, o afogador pressiona a região da garganta, contribuindo para firmar a testeira e a faceira da cabeçada na nuca, uma peça de sola fixa o buçal no meio da região mandibular e outra peça de sola fixa a focinheira do bucal na região do queixo, onde atua a barbela dos freios.


Barbada, ou hackamore, um equipamento utilizado para o inicio do adestramento de sela. Uma focinheira com três pontos de pressão exerce pressão no chanfro e outra peça com nylon trançado apoia na região do queixo. O comando é através de rédeas duplas, ligadas lateralmente nas argolas da cabeçada e abaixo, em argolas presas à peça inferior, de nylon trançado. As rédeas inferiores, quando acionadas de forma independente, exercem o efeito imediato de elevar a cabeça. As rédeas laterais, acionadas de forma independente, ou em conjunto com as rédeas inferiores, exercem os efeitos simultâneos da flexão vertical (da cabeça, pressionando a nuca ) e da flexão lateral ( cabeça e pescoço).
Indubitavelmente, mais de 90% dos vícios de doma e treinamento são desenvolvidos pelo mal uso de embocaduras, em especial o bridão. E logo esta, considerada a embocadura de principiantes, tanto cavalos como cavaleiros e amazonas. O bridão exerce ação elevatória da cabeça, favorecendo um dos vícios mais comuns: o posicionamento excessivamente elevado da cabeça. O segundo vicio de ocorrência mais comum é o chamado “cavalo ponteiro”, aquele que lança seu focinho à frente, atitude provocada pela má flexão da nuca. O uso do bridão não favorece o desenvolvimento de uma boa flexão da nuca. Outros vícios decorrentes do uso do bridão são: abrir e fechar a boca, pendular a cabeça.
Através do Método LSA de Adestramento, potros e potras podem ser adestrados a partir dos 24 meses de idade, desde que apresentem porte normal para a idade, bom direcionamento e sustentação na região dorso-lombar, boa estrutura óssea-muscular de tronco e membros, e aprumos sem desvios considerados graves, que são aqueles enquadrados como desvios totais de raio ósseo.
As vantagens do Método LSA de Adestramento são inúmeras:
- Possibilita avaliação precoce do potencial de andamento, o que se torna interessante em se tratando de animais destinados a venda em leilões, ou mesmo para apresentação a compradores no haras.
- Evita o adestramento de potros durante a fase critica da manifestação do libido, especialmente se estes potros já foram introduzidos na reprodução, o que geralmente ocorre por volta dos 30 meses de idade. O libido afeta negativamente o grau de concentração nas lições.
- Evita o adestramento de potras após terem sido cobertas, o que geralmente aumenta os riscos de reabsorção embrionária e/ou aborto.
- Reduz os riscos de danos à boca do animal, tendo em vista que retarda o uso de embocadura. Esta somente será introduzida quando o animal completar o adestramento basico, ou seja, estiver executando corretamente o passo, a marcha ou o trote, as paradas, os volteios à direita e à esquerda e o recuo.

Manejo Geral – Equinos

Cuidar de um cavalo é uma atividade que requer grande responsabilidade. Uma boa solução para o animal é passar parte do dia ao ar livre, em que se mantém em prática mesmo que não seja incitado a fazer exercício e outra parte do dia no estábulo; assim, o cavalo torna-se mais fácil de montar do que se estivesse todo o dia encerrado. Deixar o cavalo sempre ao ar livre ou sempre no estábulo são outras opções. No primeiro caso é necessário ter uma pastagem abundante, uma fonte de água fresca e abrigo contra o mau tempo do Inverno e os insectos no verão; nestas condições deve ser dado ao cavalo um complemento alimentar pois apenas a pastagem não é suficiente para manter o cavalo em forma. No caso do cavalo estar encerrado é preciso evitar o tédio visto que o cavalo não está no seu ambiente natural e é também essencial que o tratador entenda a psicologia do cavalo.

 Manter um cavalo a Penso

O penso ou pensão é a alternativa para quem não pode ter os cavalos em casa. Para isso é necessário encontrar um centro onde tratem cavalos e onde haja pessoal experiente. Existem 5 sistemas de penso:

O penso completo, em que se paga a alguém para fazer tudo o que for necessário inclusive o exercício de que o animal necessita;

Faça você mesmo, onde o trabalho é feito pelo proprietário;

A pastagem, que é indicada para cavalos que vivam todo o ano ao ar livre;

O repartido que é, ideal para o proprietário manter o contacto com o cavalo, pois parte do trabalho é feito por ele e a outra metade pelo centro;

O sistema em trabalho, em que o cavalo é utilizado por exemplo, numa escola de equitação.

Requisitos de uma pastagem para Cavalos

A pastagem deve ser, para cada cavalo, de cerca de 0,2 a 0,4 há. Deve ser livre de plantas venenosas, de lixo e de outros perigos tais como tocas de coelhos. Deve ter muito cuidado no que diz respeito ás cercas: utilize postes e varas, sebes vivas, cercas eléctricas, de plástico ou de arame próprio para cavalos, nunca deve ser utilizado arame farpado nem o arame simples ou concebido para outro tipo de gado, pois podem provocar ferimentos. O campo deve ter também abrigo. Este deve ter uma frente aberta e larga para não dificultar a entrada e saída dos cavalos e deve estar contra o vento predominante.

Tente sempre que o cavalo esteja acompanhado por outros animais, principalmente outros cavalos. Visite-o pelo menos duas vezes por dia mesmo que esteja permanentemente ao ar livre, pois assim fica mais alerta para quaisquer tipos de problemas.

 Cavalariças e camas

A boxe de um cavalo deve ser espaçosa, clara e arejada. Ter uma fila de boxes de um lado e do outro e um corredor central facilita as tarefas dos trabalhadores. É também muito importante que haja um constante abastecimento de água fresca e limpa.

A cama mantém o cavalo confortável e quente e evita grande parte das feridas quando este se mantém deitado. Podem ser utilizados vários tipos de cama desde as de palha às de borracha. Deve evitar que o cavalo viva num ambiente com muito pó e gases que provém da cama e até do próprio feno. Todas as camas têm vantagens e desvantagens: A palha de trigo é muito poeirenta e os cavalos comem-na; também a palha cortada e sem pó tem o inconveniente de ser comida pelos animais; as aparas de madeira só são aconselhadas se o pó tiver sido extraído; o cânhamo proporciona uma cama resistente e leve, mas têm também o problema do pó e de serem comidas; as tiras de papel não são poeirentas mas são difíceis de remover e voam facilmente; os tapetes de borracha devem ser utilizados apenas em cavalariças com boa drenagem, pois caso contrário pode formar-se uma possa de liquido de borracha, e sempre debaixo de uma fina camada de cama.

 A limpeza do estábulo

A cama deve ser remexida e o estrume retirado todos os dias. No caso de aparas, cânhamo ou papel, deve retirar-se apenas o estrume e deve ser limpo completamente 1 ou 2 dias por semana; no caso de ser de palha deve ser limpa todos os dias.

Para facilitar a limpeza utilize um carro de mão, uma pá, uma vassoura e uma forquilha. Para tirar o estrume pode calçar umas luvas de borracha e apanhá-los à mão ou então usar uma forquilha.

Aquando da limpeza completa deve tirar todo o que esteja sujo e molhado, varrer o chão e desinfecta-lo, deixando-o secar. Ao fazer de novo a cama utilize o material que aproveitou da anterior no sitio que o cavalo suja mais e acrescente material novo.

  A limpeza do cavalo

A limpeza diária do seu cavalo não serve apenas para o deixar com boa aparência pois é também uma boa oportunidade para se aperceber se este tem feridas ou inchaços nos membros ou temperatura nos cascos e articulações ou outro tipo de problemas físicos.

A técnica que utiliza na limpeza do cavalo deve estar relacionada da com o modo de vida e com o tipo de cavalo: por exemplo, um pónei que passe todo o tempo ao ar livre necessita de toda a gordura da pele sobre o pelo (para ficar impermeável; por outro lado o cavalo que passe todo o tempo no estábulo que é tosquiado deve ser limpo mais profundamente.

A maioria dos cavalos não se opõe à limpeza desde que sejam tratados respeitosamente.

 O estojo de limpeza  

O estojo de limpeza deve ser individual, para evitar infecções e transmissão de doenças e deve ter:

Um ferro de cascos;

Uma cardoa– escova de pelos compridos e duros – para limpeza geral do pelo;

Uma brussa– escova de pelos curtos e macios – para tirar o pó e a gordura;

Uma almofada para limpar as escovas;

Um pente (ou escova) de plástico para pentear crina e cauda;

Repelente de insetos;

Compressas de algodão descartáveis que se molhem para lavar olhos, narinas e zona do anús.

O estojo pode também conter unto para os cascos, tesouras de rombas (para ripar e acertar crinas e cauda).

Uma luva de crina (para remover nódoas) e um pano macio para limpar o pó e deixar o pelo brilhante.

 O processo de limpeza

No caso de ter um cavalo em semi-estábulo este deve limpar os seus cascos todos os dias e verificar as ferraduras. Deve também escovar o pelo para tirar toda a lama seca principalmente nas zonas onde são colocados os coberjões ou arreios. Deve lavar também os olhos, narinas e zona do anús.

No caso do cavalo ser castrado, deve limpar a bragada com água morna.

Para tornar a limpeza mais eficiente pode seguir os seguintes conselhos:

Limpe o cavalo estabulado fora da boxe para não largar o pó no seu interior;

Limpe-o de cima para baixo, usando sempre a mão do lado do corpo do cavalo;

Ao usar a cardoa tenha gestos curtos e leves levantando-o no final para sacudir o pó do pelo;

Utilize a brussa com gestos curtos mas não tão leves e limpe-a na almofada cada 3 ou 4 passagens;

No caso do cavalo ter a cauda aparada em cima coloque-lhe uma ligadura várias vezes por semana uma ou duas horas para     domar a cauda, mas não muito apertada para não causar problemas de circulação.






12 de jul de 2017

Instalações para Equinos (Haras)



Escolha da propriedade

O primeiro passo para se iniciar uma criação de cavalos é comprar uma propriedade adequada, em relação ao clima, topografia, qualidade de solo, pastagens. Em seguida, escolhe-se a raça, de acordo com a qual será construída a infra-estrutura básica, moderna e funcional. As duas ultimas etapas da implantação de uma criação de cavalos  serão a seleção dos animais  e a contratação de mão-de-obra especializada, sendo necessários um tratador e um treinador para um plantel de 10 a 15 animais. 
Como o Brasil é um país de clima tropical, cavalos podem ser criados em todas as regiões brasileiras, à exceção de algumas micro-regiões de clima excessivamente úmido. Quanto à topografia, as propriedades planas ou levemente onduladas são as mais indicadas. As áreas de brejo devem ser evitadas, pois danificam os cascos e favorecem diversos tipos de enfermidades. Um solo de qualidade é essencial para a formação de boas pastagens, o que reduz custos operacionais.  

Dimensionamento da criação 

A área da propriedade depende do dimensionamento da criação. Muitos criadores começam a criar cavalos em áreas de tamanho incompatível com o do plantel, passando por dificuldades de falta de pasto e capineira, o que onera bastante a criação. Em torno de 70% dos gastos de criação são relativos à alimentação e mão-de-obra. De acordo com o porte a criação de cavalos pode ser dividida da seguinte forma: 

Pequeno porte – até 10 matrizes, com um reprodutor ou utilização de sêmen

Médio porte – de 10 a 20 matrizes, ainda podendo usar apenas um reprodutor
Grande porte – acima de 20 matrizes, com dois reprodutores 
Obs.: Um segundo reprodutor será necessário para uso nas filhas das éguas base. Nos planteis de pequeno porte, serão poucas as potras selecionadas em cada safra, sendo mais interessante para o criador comprar sêmen de reprodutor testado, ao invés de investir na compra de um segundo reprodutor, ou de um potro, que é como dar um “tiro no escuro”. 
O numero de animais por hectare dependendo do tipo de graminea. No caso do Tifton, de alto valor nutritivo, a lotação anual pode chegar até 3 animais adultos por hectare. Para outras gramineas a media é de 1 animal adulto por hectare. Mesmo obedecendo estas recomendações de lotação de pastagem, durante o período seco do ano os animais deverão ser suplementados com feno de boa qualidade. É erro grosseiro de avaliação pensar que um pasto seco (fenação natural), mesmo que abundante, estará atendendo as exigências nutricionais, especialmente no caso de éguas gestantes e potros (as) em crescimento.  
O criador iniciante deve considerar que em sistema  natural de reprodução as matrizes podem parir uma cria por ano. Os produtos recriados extensiva ou semi-intensivamente também necessitarão de áreas de pastagem. Em torno de 20 a 30% dos produtos podem ser reservados, para futuros reprodutores (as) e/ou animais de exposição. O restante da safra terá destino na comercialização direta no haras, na internet, em leilões. No caso de machos a serem castrados, recomenda-se a recria para futuro adestramento de sela, visando a obtenção de melhor preço. Assim, haverá um crescimento gradual do plantel. Para um plantel estabilizado em 10 matrizes, considerando a taxa de natalidade, e de desmame, em 90% e a idade ao primeiro parto sendo por volta dos 4 anos, vamos desenvolver a evolução do plantel: 
1o ano – 9 produtos, reservando um macho e duas fêmeas
2o ano – idem. Teríamos mais 6 animais no plantel
3o ano – idem. Teríamos mais 9 animais no plantel, sendo que as duas fêmeas selecionadas no primeiro ano entrarão em reprodução. O criador deverá decidir se aumenta o plantel para 12 matrizes ou se descarta duas éguas, priorizando aquelas que não produziram bem.
4o ano – idem. Teríamos mais 12 animais no plantel, Dos quatro machos selecionados, um em cada safra, os dois melhores deverão ser reservados para teste em reprodução. Os outros dois poderão ser comercializados como reprodutores. 
No caso da adoção de sistema reprodutivo artificial, o criador poderá investir em duas ou três éguas ventres de ouro, a serem utilizadas como doadoras de embriões. Para cada égua doadora serão necessárias três éguas receptoras. De cada égua doadora é possível coletar, em média, três embriões viáveis em cada estação de monta. Geralmente, esta modalidade mais sofisticada de criação não mantem reprodutor próprio,. O criador investe em sêmen de garanhões testados e aprovados. Outro custo elevado é na assistência veterinária, seja para a coleta do sêmen, transporte e inseminação, coleta e transferência de embriões; tratamentos hormonais. A vantagem é que o aumento significativo da pressão de seleção, o que resulta em valor zootécnico superior dos produtos gerados, que podem ser comercializados a preços mais elevados. 

Localização e acesso 

Preferencialmente, o haras deve ser localizado em região de tradição na criação de cavalos, que disponibiliza as facilidades necessárias ao desenvolvimento da criação, além de reduzir custos de transporte para participar de eventos e viabilizar o escoamento mais fácil dos produtos. Outro aspecto interessante é a proximidade de alguma cidade com boa infraestrutura – supermercados, farmácia, hospital, escola de ensino publico, lazer 
Para facilitar e estimular a frequencia rotineira de visitas do criador e familiares, a localização não deve ser muito distante da cidade onde residem. Distâncias superiores a 150 km já tornam as viagens cansativas, levando em conta o mal trânsito das grandes cidades e as condições precárias em grande parte das rodovias. 
O acesso ao haras deve ser fácil, preferencialmente em via asfaltada. As estradas de terra, quando mal cuidadas, causam desconforto e transtornos em épocas chuvosas. 

Clima e topografia 

No Brasil, como país de clima tropical, há muitas variações de uma região para outra. No Sul e Sudeste, o frio é mais intenso, com o inverno seco e o verão chuvoso. Em grande parte do Centro – Oeste, a distribuição de chuvas é semelhante ao Sul e Sudeste, porem com medias pluviométricas inferiores. Nas regiões Norte e Nordeste, o inverno é chuvoso e o verão seco.  
O cavalo adapta-se bem aos climas quentes e secos. Os climas mais úmidos não menos saudáveis, especialmente quanto às afecções respiratórias e infestações de ecto e endoparasitas. Entretanto, foram forjadas raças mais resistentes para cada tipo de clima e topografia, como foi abordado na introdução desta obra. 
A topografia ideal de criação é a levemente ondulada, que possibilita melhor condicionamento aos animais criados extensivamente. A topografia montanhosa favorece os acidentes, impede a mecanização do manejo de pastos e dificulta a mão-de-obra na lida com os animais. A topografia plana facilita a distribuição dos piquetes, a movimentação dos animais no haras, o manejo geral da criação. 

Qualidade da terra 

Mais importante do que a localização é a qualidade da terra. Solos de baixa fertilidade devem ser corrigidos para a formação de pastagens, o que implica em elevados custos. As principais deficiências de minerais são de Calcio, Fósforo e Potássio. As correções de solo para formação de pastagens deverá ser feita através da aplicação grandes quantidades de adubos químicos, orgânicos e de calcareo, sendo este ultimo para a correção de acidez. Mesmo após formadas as pastagens, as aplicações periódicas de fertilizantes ainda serão necessárias, pois o solo não disponibiliza nutrientes para a planta. Este é um custo que pode inviabilizar a criação. 
As terras de cultura, de coloração roxa ou avermelhada, são as preferenciais. Terras arenosas, de cerrado, de baixadas de brejo e solos pedregosos devem ser evitados. Entretanto, estes tipos de solos são incidentes em muitas regiões. Por exemplo, na região do planalto central, predomina o solo de cerrado, geralmente pedregosos, rasos, de pouca capacidade de armazenamento de agua, de vegetação mais baixa e rala. Nas faixas litorâneas geralmente predominam  os solos mais ácidos, de baixadas, vegetação mais alta e densa. As terras de cultura são encontradas em grande parte do Estado de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, parte do Sul de Minas, mais próximo à divisa com São Paulo, grande parte do triângulo mineiro, como exemplos. 

Tipo de pastagem – nativa X artificial 

Os pastos nativas são pouco nutritivos e exigem gastos elevados de manejo da capina e limpa. Geralmente muito sujos, misturam vários tipos de gramíneas rasteiras e arbustivas, algumas podendo ser tóxicas para o equino. Outras desvantagens de pastos nativos é a maior incidência de cobras e carrapatos. Somente durante os períodos chuvosos atendem as necessidades de manutenção do equino. Também apresentam reduzida capacidade de lotação. Dois tipos de pastagens nativas incidentes no Estado de Minas Gerais são os capins gordura e Colonião. Este ultimo também incide no Sul da Bahia. 
As pastagens artificiais podem ser mais apropriadas quando se escolhe uma boa graminea, que deve ser bem adaptada ao clima e tipo de solo. Na atualidade, o Tifton é a graminea mais recomendada, devido ao elevado valor nutritivo e a possibilidade de produção de feno de boa qualidade. Os gastos com a formação, através de mudas e solo bem adubado, compensam. Havendo disponibilidade de agua para irrigação, melhor ainda, pois viabiliza a fenação. Em seguida ao Tifton, podem ser indicados o Coast Cross ( dá feno de boa qualidade ), capim Paraíso ( que também serve para capineira ), Tanzânia, Mombassa. Para regiões de clima mais seco, baixo indice pluviométrico, outras gramineas são recomendadas, tais como o Buffel Grass, Brachiaria Humidícola, Pangola. Outros capins consumidos pelo cavalo são o Pangolão, Andropogon, Colonião, Grama Estrela, Gordura, Jaraguá, Sempre Verde.

Após a escolha da raça, o interessado em iniciar uma criação de cavalos deve formar pastagens adequadas para a região de localização da propriedade e para a espécie equina. As melhores pastagens são formadas, em ordem de valor nutritivo pelas seguintes gramíneas: Tifton, Coast Cross, Pangola, Tangola, Pangolão, Tanzânia, Colonião, Sempre Verde, Jaraguá, Gordura.

É prática no Brasil a utilização de capineiras - áreas de plantio de capim para corte -, visando uma suplementação de volumoso para animais estabulados e para animais de campo durante longos períodos de estiagem. Todavia, o manejo de capineiras é oneroso e o valor nutritivo das gramíneas utilizadas para corte sofre sensíveis variações ao longo do ano, dependendo do estágio de maturação da planta. Assim, uma prática mais vantajosa é a formação de áreas para fenação, sendo que os melhores fenos são produzidos com Tifton e Coast Cross. Uma opção seria produzir alfafa para fenação, porém essa leguminosa é exigente em relação aos tratos culturais.
Para dimensionar o tamanho das pastagens deve-se destinar pelo menos um hectare para cada animal jovem. Para adultos, em especial éguas gestantes e lactantes, a ocupação aumenta para 1 unidade animal / hectare. As cercas não devem ser de arame liso, para evitar acidentes. Os piquetes para animais de exposição e garanhões devem ser, preferencialmente, de cerca com réguas.
As baias devem ser amplas, de 4 x 4 para garanhões e 3 x 4 para outras categorias. Os cochos devem ser separados, para o volumoso e a ração concentrada. O saleiro deve ser dividido para sal mineral puro e a mistura balanceada. Para utilização de feno, recomenda-se o uso de grades apropriadas ou de redes. Além das baias, uma cocheira completa inclui área para depósito de material para renovar a cama; depósito de ração, com tablados; selaria; farmácia; escritório e sala de troféus; lavador; brete para manejo reprodutivo; área cimentada; plana; para casqueamento e ferrageamento.
O material para as camas é um assunto à parte. Aparentemente simples, este é um dos principais problemas encontrados nos haras. A cama deve estar sempre limpa e seca, a fim de preservar a saúde dos cascos. Areia não deve ser utilizada como material de cama, pois tem pouco poder de absorção de umidade. Torna-se oportuno ressaltar que o material de limpeza das camas não deve ser armazenado nas proximidades das baias, para não atrair moscas.
Para a doma, exercícios de condicionamento e treinamento de cabresto, um amplo redondel deve ser construído, com diâmetro de, pelo menos 15 metros, cercado de régua ou murado. Para equinos de marcha, o piso de areia não é recomendado, a não ser na forma de uma fina (no máximo 4 cm de altura) camada de areia sobre terra batida. Como a marcha é um andamento bastante assimétrico na mecânica de locomoção, exercícios sobre piso pesado de areia sobrecarregam em demasia as articulações, tendões e ligamentos. Já para equinos de trote, o piso de areia é o mais recomendado nos redondéis.
Outras áreas apropriadas para exercícios de condicionamento e treinamento são: piscina, pista plana - mais ou menos 60 x 40m - para treinamento de andamentos e obstáculos de provas funcionais.







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