22 de mai de 2018

Doenças em Caprinos e Ovinos

Doenças relacionadas ao período reprodutivo

Epididimite
A epididimite ovina é uma doença infecciosa crônica que acomete o sistema genital dos ovinos, caracterizada por diferentes níveis de epididimite, orquite, aborto, placentite, endometrite e alta taxa de mortalidade de cordeiros. É causada por Brucella ovis, é distribuída mundialmente e pode causar grande impacto econômico na ovinocultura, devido à queda na fertilidade do rebanho, aumento da taxa de descarte de reprodutores, ocorrência de aborto e restrição de comércio de animais e de seus produtos. A transmissão ocorre via venérea através do contato direto ou indireto, no ambiente, utensílios e instalações contaminados. O diagnóstico de B. ovis pode ser realizado através do exame clínico, do isolamento bacteriano ou a partir de testes sorológicos. Quanto ao controle, os machos reprodutores são o principal alvo, já que nas fêmeas o agente infeccioso permanece por pouco tempo. Para evitar a introdução da doença no rebanho, sugere-se que sejam adquiridos somente animais comprovadamente negativos. Todos os animais infectados devem ser descartados, já que o tratamento é inviável. Exames clínicos e laboratoriais devem ser associados para uma efetiva avaliação na época da reprodução. O diagnóstico clínico não deve ser utilizado isoladamente, já que apenas 50% dos carneiros infectados por B. ovis apresentam epididimite. A separação dos reprodutores por faixa etária pode evitar a disseminação da enfermidade.
Autor: Fernando Henrique M. A. R. de Albuquerque
Figura 1. Reprodutor ovino com aumento de volume testicular sugestivo de epididimite.
Toxemia da gestação
A toxemia da prenhez é tipicamente um problema do final da gestação, contudo, sua origem está no programa nutricional inadequado durante a gestação. A toxemia de gestação do tipo I também conhecida como da ovelha magra, é comum em rebanhos comerciais no semiárido brasileiro. A condição da ovelha gestante subnutrida quase sempre está associada à presença de fetos múltiplos, dietas impróprias e doenças intercorrentes. O diagnóstico é feito quando no final da gestação a matriz está desnutrida, com sinais de cegueira, incoordenação motora, perda de tufos de pelos, acetonúria e hipoglicemia. A prevenção e o controle se baseiam na oferta de suplemento alimentar no final da gestação, da avaliação e monitoramento da condição corporal das ovelhas (desejável manter CC = 3,0 pontos) e controle do estresse. O diagnóstico de gestação por ultrassonografia pode indicar as ovelhas com gestação dupla ou tripla, portanto mais suscetíveis ao problema.
Quando não for possível agir preventivamente, o tratamento recomendado é utilizar dexametasona (8-16mg) e propilenoglicol ou glicerol (200 ml/oral 4 x dia). Em casos graves, utiliza-se também a cesariana.
Aborto
Abortamento é a perda do feto em qualquer fase da gestação, porém é mais comum nos últimos dois meses. Muitos fatores podem levar à interrupção de uma gestação, e uma taxa de aborto entre 1,5 a 2% é considerada excelente, e até 5% é uma taxa comum. Poucos estudos relatam aborto em cabras e ovelhas no semiárido brasileiro e indicam uma ocorrência entre 2% a 5% dos casos de perdas das crias. Apesar disso, surtos de abortos são frequentes e, na maioria dos casos, não se consegue chegar ao diagnóstico definitivo. 
Cabras e ovelhas podem manifestar abortamento por causas não infecciosas, como pancadas, brigas entre animais, doenças metabólicas, desnutrição e ingestão de plantas tóxicas. No Nordeste do Brasil, numerosas plantas são incriminadas como causa de abortos em ovinos e caprinos. Trabalhos recentes demonstraram o efeito abortivo de Aspidosperma pyrifolium (nome popular "pereiro") em caprinos. A ingestão dessa planta é uma causa importante de abortos, principalmente em épocas de seca, quando, após uma chuva, ocorre rebrota rápida, sendo consumida pelos animais. Até agora, as pesquisas indicam que, se gestação está a termo no momento do consumo da planta, o cabrito consegue nascer vivo. Por outro lado, se a planta for ingerida nos primeiros 34 dias de gestação, causa mortalidade embrionária. O principal sinal clínico é o aborto ou a indução do nascimento de cabritos prematuros vivos que morrem logo após o parto. Não há descrição de lesões fetais ou da placenta. Com a intenção de prevenir o aborto ou o parto prematuro ocasionado pelo consumo de pereiro, é necessário evitar que cabras e ovelhas prenhes permaneçam em áreas onde existe a planta. Tal mediada se torna mais importante nas épocas de seca em que há pouca disponibilidade de forragem nativa. Alternativa seria a produção e conservação de forragens na forma de silagem ou feno para a suplementação alimentar das matrizes gestantes durante o período de seca.
Muitos agentes infecciosos podem levar a surtos de aborto em cabras e ovelhas de corte. No entanto, o protozoário Toxoplasma gondii tem sido encontrado com mais frequência a partir do diagnóstico histológico em fetos abortados e restos placentários, tecidos nos quais as lesões são característica do parasito. Seguindo esta linha, verifica-se também que outras causas infecciosas de abortos não têm sido identificadas em caprinos e ovinos no semiárido. A toxoplasmose é uma doença parasitária capaz de infectar bovinos, caprinos, ovinos, suínos, roedores e outros mamíferos, assim como humanos. A infecção por T. gondii é relativamente comum em caprinos e ovinos sem manifestar doença clínica, porém cabras e ovelhas que adquirem a infecção durante a gestação podem desenvolver distúrbios reprodutivos, como o aborto, natimorto, má formação fetal, placentite necrótica ou nascimento de crias com baixo peso. Pesquisas realizadas no semiárido indicam entre 16% a 62% do rebanho de diferentes regiões do território. O fato comprova a infecção e o desenvolvimento do parasito em algum momento da vida reprodutiva desses animais, podendo acarretar perdas econômicas aos sistemas pecuários do Nordeste. A infeção se dá a partir da ingestão da água, ração ou pastagem contaminada com oocistos esporulados dos protozoários presentes nas fezes do gato doméstico ou felinos silvestres. Sendo assim, nesse tipo de criação, uma das principais formas de prevenção contra a toxoplasmose é evitar a criação de gatos domésticos nas proximidades de estábulos, apriscos e outras instalações.
Autor: Fernando Henrique M. A. R. de Albuquerque
Figura 2. Abortamento em ovelhas com malformação e mumificação fetal.
Procedimentos em casos esporádicos ou surtos de aborto
Em casos esporádicos ou surtos de aborto, é importante o produtor se organizar para tomar decisões acertadas, amenizando as perdas do sistema de produção, evitando a transmissão de agentes patogênicos.
Primeiramente, é necessário diagnosticar a causa dos abortos para saber quais as medidas a serem tomadas, de forma a controlar e amenizar a ocorrência de perdas. Para alcançar melhores resultados, o produtor necessita consultar o histórico reprodutivo e sanitário do rebanho, observar sinais clínicos, coletar, preparar e enviar amostras para análise laboratorial. Tudo isso ajuda a amparar, fundamentar e sistematizar a análise dos dados para o diagnóstico definitivo. A coleta de informações sobre o rebanho para enviar ao laboratório de análise deve se fundamentar no número de animais que manifestaram aborto, quais categorias, fase da gestação, tipo de alimentação e na introdução de novos animais no rebanho. O material coletado pode ser membranas fetais frescas e limpas e com cotilédones, fetos frescos e limpos, swab da pele do feto ou do corrimento vaginal. Para uma avaliação ampla, atentar-se também a coleta de amostra de soro para a pesquisa de anticorpos contra T. goondi ou aborto enzoótico.
Uma vez que o rebanho pode estar infectado com mais de um agente, deve-se continuar remetendo o material ao laboratório, mesmo após exame positivo para um agente. Para a análise final, considerar outras possíveis causas de aborto não infeccioso, doenças metabólicas, deficiência nutricional e ingestão de plantas tóxicas.
As mediadas de prevenção e controle durante o surto incluem a higienização e isolamento de cabras e ovelhas que manifestaram aborto, ou mesmo daquelas com descarga vaginal. Providenciar para que os restos fetais da placenta e da cama sejam queimados e enterrados. As matrizes com aborto confirmado não devem amamentar outras crias.   O tratamento com antibióticos pode ajudar a diminuir as perdas durante os surtos de aborto causados por Campylobacter e Chlamydia, porém, a escolha do medicamento deve ser feita pelo veterinário responsável pelo rebanho.
As medidas de prevenção da ocorrência de surtos de abortamento devem levar em consideração a aquisição de reprodutores ou matrizes de propriedades livres de casos de aborto, além de realizar a quarentena de qualquer animal antes de introduzi-los no rebanho. No tocante à alimentação do rebanho, manter uma avaliação e monitoramento permanente do escore corporal ideal (ECC = 3,0 pontos), fornecer mistura mineral de boa qualidade à vontade a todas as categorias, não ofertando alimentos diretamente no solo, para evitar a contaminação por fezes e urina de ratos, gatos, pássaros e aves domésticas. Um programa de controle e redução da população de roedores ajuda muito a manter os alimentos e as fontes de água livres de contaminação. Nos currais, apriscos, piquetes e pastagens, manter separados os lotes de cabras e ovelhas recém-adquiridas, o lote de primeira cria e as categorias de pré e pós-parto, bem como manter o rebanho livre de fatores estressantes, como a superlotação e área de cocho insuficiente.
Em qualquer caso de aborto, atuar de forma sistemática (diagnosticar, dar destino adequado aos tecidos abortados, separar as fêmeas que abortaram e em caso de surto, tratar os demais animais).
Muitas causas de aborto em cabras e ovelhas são zoonoses, ou seja, também acometem os humanos. Portanto, deve-se ter cuidado ao assistir a partos e ao cuidar de cordeiros fracos. É importante usar luvas sempre que lidar com material contaminado, assim como leite e queijo não pasteurizados não devem ser consumidos.
Mastite
Preocupação com mastite tem aumentado em sistemas destinados à produção de carne, uma vez que a doença é a principal causa de descarte de matrizes, além de levar à redução no ganho de peso de cordeiros e aumento da mortalidade na fase de cria. Nas raças de corte, as bactérias são os agentes identificados com maior frequência nos casos de mastite. Ovelhas e cabras reprodutoras desenvolvem mastite mais comumente entre a parição e o desmame. A mastite pode se manifestar como infecção aguda, subaguda ou crônica. Durante sua evolução, é muito comum a perda do úbere ou do quarto mamário afetado.
A mastite subaguda é uma das principais causas de descarte de animais pecuários. O diagnóstico pode ser baseado na verificação de cordeiros ou cabritos subdesenvolvidos, sinais de desnutrição em recém-nascidos, morte de neonatos por inanição, além da constatação de nódulo fibroso durante a palpação do úbere dos animais. Sua manifestação, geralmente, é consequência de mastite aguda não identificada durante a lactação ou da estase de leite por ovelhas de alta produção no pós desmame. Nessas circunstancias, pode-se observar nódulos e abscessos no úbere que se encontra  endurecido (fibrose). Uma estratégia para amenizar as perdas ocasionadas por este tipo de mastite é o exame individual de rotina para palpação da glândula mamária, sempre realizado durante a pré-estação de monta, no pós-parto imediato e pós desmama, separando para o descarte orientado de matrizes com fibrose no úbere. Considerando ainda a contaminação da glândula mamária por patógenos presentes na boca do cordeiro ou no ambiente, é importante durante o manejo evitar situações que causem lesões traumáticas no úbere ou tetos das ovelhas. No final da fase de cria, a desmama controlada ajuda a impedir a estase láctea ocasionada em ovelhas com alta produção de leite após o desmame. A estratégia integra ações de restrição da água e alimento das matrizes até cessar a produção de leite, com um primeiro intervalo de dois dias na mamada, seguido do segundo intervalo de três dias por um período de oito dias. A integração desmama controlada, palpação e descarte de ovelhas com fibrose no úbere permite remover animais que são fonte de infecção para o rebanho.
A forma aguda ou clínica da mastite é constatada nas matrizes pela claudicação ou andar rígido que comumente é o primeiro sintoma observado e o mais importante para separar os animais acometidos do grupo. A ovelha impede que a cria mame e apresenta-se em decúbito. Inicialmente, a pele do úbere apresenta-se avermelhada, a glândula aumentada de volume, quente, dolorida. O edema se estende pela barriga até os membros anteriores, podendo evoluir para a forma gangrenosa com a pele do úbere azulada e fria ao toque muitas vezes fatal. Na mastite aguda, o objetivo do tratamento é salvar a vida da ovelha, pois o úbere afetado provavelmente estará perdido em termos de produtividade. No tratamento sistêmico ou local, deve-se aplicar antibióticos de amplo espectro, tão logo sejam observados os sinais clínicos. O antibiótico mais utilizado tem sido a oxitetraciclina ou a terramicina que apresentam bons resultados em duas doses com três dias de intervalo associado ou não ao tratamento intramamário com antimastíticos disponíveis no mercado.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 3. Ovelha com nodulação fibrosa no úbere ao exame individual e palpação da glândula mamária.
Mortalidade na fase de cria
Uma das principais perdas econômicas para os produtores do Nordeste é ocasionada pela mortalidade de cabritos e cordeiros.  Existem poucas citações sobre o assunto no Semiárido brasileiro; contudo, pode-se encontrar taxas de mortalidade anterior à desmama que oscilam entre 15% e 46%. Considerando a fase de cria, maior destaque merecem as causas da mortalidade perinatal (MP) de cabritos e cordeiros em criações extensivas. A mortalidade perinatal é definida como as perdas de cabritos e cordeiros que ocorrem imediatamente antes (últimos 60 dias de gestação), durante e até 28 dias após o parto. Nos sistemas de criação tradicional da região semiárida, a MP é causada principalmente por infecções neonatais, seguidas das malformações congênitas, distocias, complexo inanição/hipotermia, aborto e predação.
Infecção em recém-nascidos
A infecção neonatal ocorre em até 40% dos casos geralmente em função da ingestão inadequada de colostro, falta da cura do umbigo e condições precárias de limpeza e higiene das instalações. Na maioria das fazendas, bodes, cabras e cabritos, carneiros, ovelhas e cordeiros são recolhidos à noite em apriscos ou chiqueiros superlotados que acumulam fezes, urina e favorece a ocorrência das infecções neonatais. Nesses casos, as mortes podem ser evitadas se o produtor tomar alguns cuidados, como a separação das matrizes gestantes, um ou dois dias antes do parto em piquete maternidade limpo, seco, com disponibilidade de sombra, água e próximo às instalações de manejo.
Nesse local, o fácil acesso às crias facilita a cura do umbigo (imersão do coto umbilical em solução de iodo 10%) por três dias consecutivos, e a observação de cabritos e cordeiros durante a mamada do colostro, logo após o nascimento. Em ovelhas a produção de leite aumenta após o nascimento até terceira semana, com queda acentuada a partir da sexta semana. Por esse motivo, a separação e manutenção das matrizes paridas em boas pastagens, para suprir as demandas nutricionais durante a amamentação, permite maior produção de leite e, por consequência, maior taxa de sobrevivência das crias até o desmame.
Malformações congênitas
Nas condições do Semiárido nordestino, as malformações são incriminadas como uma importante causa de morte em recém-nascidos. Malformações congênitas são defeitos das estruturas ou funções de órgãos ou sistemas que o indivíduo apresenta ao nascer, sendo que sua frequência pode variar entre raças, áreas geográficas e estações do ano, dependendo da origem ser hereditária ou ambiental. Nas fazendas que produzem caprinos e ovinos no Nordeste do País, as malformações podem ocorrer entre 9% e 37% dos casos em cabritos e cordeiros em diferentes tipos de criação e em diferentes raças, o que sugere que essas malformações sejam de origem tóxica.
As malformações já foram reproduzidas em cabritos filhos de cabras alimentadas durante toda a gestação com jurema preta (Mimosa tenuiflora), planta nativa muito comum na região Nordeste do País, demonstrando o seu efeito teratogênico que, provavelmente, é a causa da maioria das malformações encontradas em recém-nascidos. Cordeiros e cabritos nascem com diversas malformações ósseas: flexão dos membros torácicos (artrogripose), malformações dos ossos da cabeça e face (micrognatia), fendas no lábio e no palato, malformações da coluna vertebral (cifose, escoliose, torcicolo ou hiperlordose), da cabeça (acefalia, bicefalia), hipoplasia da língua, meningocele e siringocele. Até o momento, está claro que as malformações ocorrem quando os animais ingerem a planta durante a gestação. A frequência do nascimento de animais com malformações é variável, existem rebanhos com ocorrência entre 1% e 10%, e outros em que a taxa pode alcançar até 100% dos animais nascidos. As maiores frequências têm sido observadas em ovinos e caprinos suplementados com grãos ou subprodutos no final da seca em áreas invadidas por jurema preta, planta que rebrota rapidamente logo após as primeiras chuvas antes de outras forrageiras. Nessa situação, as fêmeas entram em cio em resposta à suplementação, mas como a única forragem verde disponível é a jurema-preta, os animais ingerem grandes quantidades no início da gestação. Para diminuir a ocorrência dessas malformações, é necessário evitar a ingestão de jurema-preta por cabras e ovelhas prenhes, principalmente nos primeiros 60 dias de gestação, período durante o qual o feto é mais suscetível aos agentes teratogênicos. Tendo em vista que na maioria das criações do nordeste os bodes e os carneiros permanecem com as cabras e ovelhas durante todo o ano, a adoção de uma estação de monta definida contribuiria para a diminuição da ocorrência do problema.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 4A. Malformação congênitas em ovinos recém-nascidos.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 4B. Malformação congênitas em ovinos recém-nascidos.

Complexo inanição/hipotermia/exposição
No Nordeste brasileiro, a morte de cabritos e cordeiros recém-nascidos ainda pode ser causada em até 12% dos casos pelo complexo inanição/hipotermia/exposição. O complexo ocorre quando o recém-nascido não tem reservas energéticas suficientes para manter sua temperatura corporal. Nas crias, o problema se manifesta por dois motivos: o baixo peso ao nascimento e as condições ambientais desfavoráveis. No semiárido onde as condições climáticas são favoráveis para a sobrevivência dos recém-nascidos, a causa mais importante é o baixo peso de cabritos e cordeiros ao nascimento, em função de deficiência alimentar das matrizes durante o último terço de gestação.
Sabe-se que nos últimos 45 dias de gestação o feto desenvolve até 70% do seu peso corporal. Nessa fase da gestação, as cabras e ovelhas magras, principalmente aquelas gestantes de dois ou mais fetos, mantidas com alimentos pobres ou escassos vão produzir crias com baixo peso e menor vigor ao nascimento. Nessas matrizes, o início da lactação ainda é retardado e os cordeiros demoram mais tempo para ficar em pé e iniciar a primeira mamada. Nesse tipo de criação, a inanição, ou seja, a falta de consumo de alimento produz uma fraqueza intensa que impede a cria de chegar ao úbere e mamar o colostro, fato que ainda facilita a instalação de doenças. Sendo assim, é importante a manutenção da mamada do primeiro leite (colostro) para a sobrevivência da cria, uma vez que os cabritos e cordeiros com menor peso ao nascimento são os que apresentam maior taxa de mortalidade por inanição. O abandono das crias pelas mães, a pouca produção de leite devido à fibrose do úbere ou a escassez alimentar na época da seca também podem influenciar na taxa de sobrevivência até o desmame. Portanto, na criação tradicional predominante na região Nordeste, uma alternativa para prevenir as mortes causadas por inanição é o estabelecimento de uma época de estação de monta que faça coincidir com a época de maior necessidade nutricional de cabras e ovelhas com a maior disponibilidade de forragem e suplementos. 
Distocia ou dificuldade de parto
Sabe-se que as mortes de cabritos e cordeiros causadas por distocias podem alcançar de 8% a 16% dos casos nos sistemas pecuários da região Nordeste. O parto anormal ou distocia corresponde a todo nascimento que requer auxílio. Em cabras e ovelhas a manifestação pode causar lesão em nervos da pelve e dificuldade em levantar e caminhar após o parto, feridas na região vaginal, além de reduzir a sobrevivência da cria. Nos sistemas de corte do semiárido do País, geralmente as causas de partos difíceis estão relacionadas à debilidade da cabra ou ovelha por má alimentação e à ocorrência de gestação indesejada em fêmeas muito jovens. As cabritas e borregas estão aptas à cobertura quando alcançam 70 % do peso das matrizes adultas do rebanho. A precocidade e alta prolificidade característica das cabras naturalizadas no semiárido, leva a cobertura e gestação borregas e cabritas ainda não aptas ao acasalamento. Esses animais ainda não alcançaram seu crescimento ósseo completo e a dilatação da pelve é insuficiente para a passagem do feto. Nesses casos, a desproporção entre o feto e a área pélvica é a principal causa das distocias. Outro fato comum, também fruto da alta prolificidade, são as gestações múltiplas que comprometem o adequado posicionamento (estática) fetal, predispondo também às distocias. Consequentemente, a recuperação da mãe após partos dificultosos é demorada, podendo levar à morte do feto em decorrência de anoxia ou da ruptura do fígado.
Geralmente, numa fazenda em que o número de crias mortas por distocias é alto, a causa pode estar associada a falhas no manejo reprodutivo do rebanho. Nesses casos, o estabelecimento de estação de monta permite a concentração da monta e dos partos em época com maior disponibilidade de alimento/suplemento para as matrizes e cordeiros e cabritos, evitando a cobertura de fêmeas jovens, além de facilitar a organização de pessoal para a observação e assistência ao parto. A habilidade do proprietário em reconhecer o problema é essencial para assegurar o nascimento de crias vivas e com saúde.
Predação
Predação é quando um indivíduo chamado predador captura e destrói fisicamente a presa para se alimentar. A predação é pouco relatada como causa da morte de crias em rebanhos de pecuária de corte caprina e ovina do Nordeste; sua ocorrência oscila entre 1,0 % e 2% dos casos. Apesar disso, numerosos produtores incriminam algumas aves, como o carcará e o urubu, a raposa, o gato-maracajá e o cão doméstico como predadores primários. A predação primária ocorre quando o predador mata um animal sadio, enquanto que a secundária ocorre quando o predador mata um animal doente que provavelmente não sobreviveria à doença. Observações sobre o aspecto da predação indicam que em ambientes com a fauna e flora preservadas, aves, raposas e pequenos felinos silvestres realizam preferencialmente predação secundária.
Sabe-se que, por muitos anos, as tentativas de reduzir perdas de cabritos e cordeiros na fase perinatal têm-se concentrado em programas de controle de predadores. Nesse sentido, é necessário primeiramente comprovar esses fatos antes de recomendar qualquer medida de controle para esses possíveis predadores silvestres. Deve-se considerar isso por que muitos produtores assumem que a principal causa de morte é a predação antes de descartar outras possíveis causas. A falta de escrituração zootécnica comum nos sistemas tradicionais do Nordeste, também dificulta ou impossibilita a identificação da causa de morte dos animais. 

Doenças de cordeiros e cabritos

Ectima Contagioso
Enfermidade típica da fase de cria e recria de cordeiros e cabritos. O Ectima Contagioso é uma doença viral que ocorre com maior frequência no terceiro e sexto meses de idade. Popularmente conhecida como boqueira, causa a formação de feridas e crostas nas gengivas, narinas, olhos, língua, vulva, região perianal, espaço interdigitais e no úbere. Sua disseminação é favorecida quando há agrupamento de animais jovens, como nos confinamentos, leilões, exposições ou feiras agropecuárias. As crostas das feridas e pedaços de lesões revelam-se infectantes durante meses em utensílios, comedouros, bebedouros, apriscos e nas pastagens, o que favorece o surgimento de surtos, além da existência de portadores crônicos que disseminam a doença. As crias em idade de amamentação são fortemente afetadas e suas mães podem ter verdadeiras proliferações verrugosas nas tetas e partes vizinhas ao úbere. A recuperação pode ser rápida, caso não ocorram infecções secundárias. As lesões no interior da boca podem dificultar ou impedir o animal de se alimentar, o que pode levar à morbidade e óbito de cordeiros ou cabritos. Observando essas condições, o diagnóstico clínico geralmente não é problema. Como medida preventiva, recomenda-se o isolamento dos animais recém-adquiridos por duas a três semanas e monitoramento do aparecimento das feridas e crostas. Por outro lado, muitas vezes os rebanhos já adquiriram proteção (anticorpos) contra a doença e não apresentam sinais clínicos. Contudo, quando a doença aparece pela primeira vez no rebanho, recomenda-se separar e tratar os doentes e vacinar o restante, além de manter medidas de suporte como o fornecimento do colostro para as crias, limpar e desinfetar todas as instalações, utensílios e fômites. A melhor maneira de prevenir é por meio da vacinação, que confere imunidade por toda a vida. Em regiões onde a doença é muito frequente, recomenda-se vacinar as fêmeas prenhes de duas a três semanas antes do parto e duas semanas após o parto. A vacina é aplicada em cabritos de um a dois meses de idade na face interna da coxa. Os animais doentes devem ser isolados, as crostas retiradas (queimadas e enterradas) com uso de uma gaze embebida em solução de permanganato de potássio a 3% ou solução de iodo a 10% glicerinado (uma parte da solução de iodo para uma de glicerina).  A associação de antibióticos (cloranfenicol ou oxitetraciclina) e violeta de genciana também é eficaz, porém o custo do tratamento fica mais alto. No ambiente, o vírus é altamente sensível à temperatura, e pode ser destruído pelo fenol a 5% ou com o uso de vassoura de fogo nas instalações. 
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 5A. Cabritos com crostas nas gengivas, narinas e olhos, lesão características de Ectima Contagioso. 
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 5B. Cabritos com crostas nas gengivas, narinas e olhos, lesão características de Ectima Contagioso. 

Doenças em caprinos e ovinos adultos

Linfadenite Caseosa
A linfadenite caseosa é uma doença crônica debilitante de ovinos e caprinos, causada pela bactéria Corynebacterium pseudotuberculosis. Popularmente conhecida como “mal do caroço”, é fácil de ser observada quando se manifesta na forma de abcessos em linfonodos superficiais da garganta e do úbere. De acordo com a localização do caroço, pode prejudicar a mastigação, a amamentação e outras funções orgânicas. Na forma visceral, é a causa da síndrome da ovelha magra, produzindo abcessos em linfonodos e órgãos internos, como o pulmão, fígado e baço, levando a inúmeros prejuízos sem a percepção do produtor.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 6A. Cabras com abscesso no linfonodo mamário, exemplo de linfadenide caseosa tipo superficial.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 6B. Cabras com linofodo retrofaríngeo, exemplo de linfadenite caseosa do tipo superficial.
No Nordeste do Brasil, a linfadenite caseosa está presente entre 15% a 66% dos criatórios em diferentes Estados. A transmissão ocorre principalmente através da abertura natural dos abcessos e liberação do conteúdo caseoso que contamina o ambiente das instalações, cercas, cancelas, borda do canzil, cochos e bebedouros. Nesses locais, os animais contraem a infecção a partir de ferimentos na pele, castração, descorna e cordão umbilical. A infecção também acontece no compartilhamento de agulhas e no contato direto da mucosa da boca e focinho (via respiratória e digestiva) entre animal doente e sadio. O microrganismo penetra no corpo do animal e pode permanecer em forma latente por longos períodos. O aparecimento de abscesso superficial ocorre com maior frequência em animais com mais de um ano de idade. O animal infectado se torna portador por toda a vida. O diagnóstico clínico baseia-se na observação dos abscessos superficiais no rebanho. O diagnóstico definitivo é obtido a partir do isolamento e identificação da bactéria e da utilização de testes laboratoriais.
As formas de controle apresentadas até o momento têm demonstrado pouco êxito em função da sobrevivência da bactéria por longos períodos no ambiente. A ruptura de apenas um abscesso pode contaminar todo o rebanho. Durante o manejo do rebanho, a principal medida preventiva é a identificação e separação do animal em baia de isolamento antes que o abcesso do linfonodo venha a romper naturalmente. O abscesso será drenado e tratado no sentido de evitar a ruptura natural e disseminação do material caseoso nas instalações. Tal procedimento evita a disseminação do agente infeccioso e facilita o controle da doença no rebanho. O tratamento terapêutico da linfadenite caseosa à base de antibióticos é ineficaz, já que a bactéria se localiza dentro das células e a espessa cápsula que envolve os abscessos dificulta o acesso das drogas ao interior da lesão. Atualmente, a drenagem cirúrgica seguida pela cauterização química é o tratamento recomendado. O material necessário para esse procedimento é composto por luva de procedimento descartável, tesoura de ponta fina, pinça comum, cabo de bisturi e lâmina, tricótomo, gaze hidrofílica, solução de iodo a 10%, spray repelente e cicatrizante e saco plástico de 2 kg.
Autor:Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 7. Material necessário para realizar o corte e cauterização química de abscessos em linfonodos superficiais com linfadenite caseosa em caprinos e ovinos.
Para o tratamento dos abcessos, o animal deve primeiramente ser contido com o uso de cabresto e corda para facilitar o procedimento. O primeiro passo é calçar as luvas de procedimento e iniciar a raspagem do pelo na região do linfonodo afetado. O segundo passo é a utilização do bisturi para realizar a incisão vertical na região caudal do abscesso que deve ser pressionado para retirar todo o material caseoso colocado em saco plástico. Em seguida, fazer a limpeza interna do abscesso, utilizando gaze e pinça, garantindo a total retirada da cápsula. O espaço interno do abscesso deve ser limpo e preenchido com solução de iodo 10% durante três a quatro dias. A aplicação de solução de iodo a 10% e mata bicheira deve ser realizada até a cicatrização total da ferida. O animal tratado deverá retornar ao rebanho apenas após a cicatrização completa da ferida. Todo o material descartável e o exsudado caseoso devem ser colocados em saco plástico, posteriormente queimado e enterrado.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 8A. Procedimento para corte e cauterização química de abscessos em linfonodos superficiais com linfadenite caseosa em caprinos e ovinos.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 8B. Procedimento para corte e cauterização química de abscessos em linfonodos superficiais com linfadenite caseosa em caprinos e ovinos.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro 
Figura 8C. Procedimento para corte e cauterização química de abscessos em linfonodos superficiais com linfadenite caseosa em caprinos e ovinos.
Autor:Raimundo Ryzaldo Pinheiro
 
Figura 8D. Procedimento para corte e cauterização química de abscessos em linfonodos superficiais com linfadenite caseosa em caprinos e ovinos.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 8E. Procedimento para corte e cauterização química de abscessos em linfonodos superficiais com linfadenite caseosa em caprinos e ovinos.
No Brasil, existem vacinas comerciais que conseguem diminuir a ocorrência da linfadenite caseosa no rebanho; contudo, apenas com a vacinação um rebanho infectado dificilmente se tornará livre da doença. Nesse sentido, na criação de caprinos e ovinos de corte, o programa de controle da linfadenite caseosa se baseia na seleção de animais livres da doença antes da compra, quarentena na propriedade, identificação, isolamento e tratamento de animais com abcessos nos linfonodos para evitar a contaminação das instalações, descarte orientado dos animais com reincidência de abcessos tratados, vazio sanitário com limpeza e desinfecção, utilizando vassoura de fogo em toda instalação onde houve contaminação pela abertura de abcessos (piso cimentado, paredes, cercas, canzil, comedouros, bebedouros), aplicação de fina camada de cal hidratada em piso de terra batida, e quando possível pintura de cal nas paredes e cercas.
Pododermatite contagiosa
A pododermatite contagiosa, popularmente conhecida como frieira, podridão-dos-cascos ou foot rot é considerada a principal causa de claudicação em ovinos e caprinos no semiárido brasileiro. A doença altamente contagiosa é causada pela ação sinérgica entre duas bactérias, Fusobacterium necrophorum e Dichelobacter nodosus.
No Nordeste do Brasil, a podridão-dos-cascos ocorre com alta intensidade em caprinos e ovinos nos meses de maior umidade e calor intenso. Os animais são mais afetados em situações de currais úmidos, alta densidade e em pastos encharcados e sujos que causam escoriações no espaço interdigital. A transmissão ocorre quando um animal infectado é introduzido no rebanho sadio, ou através do contato da tesoura de casqueamento contaminada por D. nodosus com os cascos dos animais. A principal fonte de infecção é o animal portador crônico ou com infecção inaparente, que contamina o ambiente. Nos animais afetados, observa-se a claudicação seguida da inflamação e avermelhamento da região interdigital, o agravamento do quadro pode levar ao descolamento da parede do casco, lesão purulenta e elevação da temperatura corporal. A enfermidade ocorre em todas as idades, porém a gravidade da doença tende a aumentar com a idade. O diagnóstico se baseia no exame clínico onde o principal sintoma é a claudicação em um ou mais membros de vários animais do rebanho. Através da inspeção do casco dos animais doentes é possível determinar a gravidade das lesões, além de auxiliar na escolha do tratamento adequado.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 9. Identificação do animal com claudicação ou manqueira.
No momento da compra, a prevenção da infecção no rebanho depende da seleção de animais sadios (exame individual com inspeção dos cascos), oriundos de rebanho livre e do transporte em veículos higienizados e desinfetados, aliado à quarentena na propriedade. O controle da pododermatite contagiosa visa a diminuição da ocorrência no rebanho e envolve práticas de manejo aliadas à vacinação e tratamento dos animais enfermos. Na fazenda, as principais medidas são identificação, separação e tratamento dos animais com manqueira, descarte dos que não responderam ao tratamento, vazio sanitário por duas semanas de currais e pastagens contaminadas por animais doentes e uso do pedilúvio semanalmente na época das chuvas para diminuir o número de animais afetados.
A utilização de pedilúvio é o método mais fácil, prático e barato de prevenção e tratamento de muitos animais ao mesmo tempo, além de apresentar taxas de cura entre 50 a 80% quando realizado de forma correta. Pedilúvio consiste em um tanque feito de tijolo ou argamassa de cimento construída na entrada ou saída de currais ou apriscos. Sua finalidade é a desinfecção dos pés dos animais. 
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 10. Tanque com pedilúvio em alvenaria utilizando cal hidratado para desinfecção dos pés de cabras e ovelhas.
O tanque deve ser construído com aproximadamente 2 metros de comprimento, 0,8 metros de largura, 0,10 metros de profundidade e proteção lateral de 1,2 metros de altura em ripa ou parede. Caso a escolha seja pelo uso de soluções antissépticas, para uma desinfecção correta dos cascos deve ser construído um tanque lava-pés (na medida do pedilúvio) antes do tanque pedilúvio. No pedilúvio, a solução de sulfato de zinco (10% a 20 %) é a mais eficiente, sendo por isso a mais recomendada em intervalos de 3 a 5 dias. Outras opções incluem solução de sulfato de cobre (10%) e amônia quaternária (diluição de 1:1000). A cal virgem seca também apresenta resultados satisfatórios quando utilizada todos os dias. Todas as soluções devem ser preparadas no momento do uso, e na quantidade suficiente para cobrir os cascos dos animais. A passagem pelo pedilúvio deve ter inicio antes do período crítico (chuvoso) para evitar o amolecimento excessivo e o desgaste da sola dos cascos. Na saída do pedilúvio, os animais devem ser mantidos em local seco durante 1 hora. Os animais afetados devem ser alocados em ambiente seco e arejado para obterem recuperação completa. Como medida preventiva, é indicado que os animais curados continuem passando pelo pedilúvio semanalmente.
O tratamento sempre deve ser realizado no estágio inicial da doença para evitar lesão definitiva e perda da capacidade de caminhar. Nesse caso, deve-se primeiramente separar o animal em local seco, realizar o casqueamento e a limpeza dos cascos, seguido da desinfecção com solução de iodo a 10% glicerinado ou pomada antibiótica, aplicação de spray ou pasta repelente e cicatrizante e, caso necessário, aplicação de antibióticos via intramuscular a base de terramicina ou oxitetraciclina.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 11A. Identificação do animal a ser casqueado.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 11B. Limpeza com água e escova de cerdas duras.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 11C. Corte das sobras da parede do casco.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 11D. Retirada da secreção ou larcas de miìase.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 11E. Aplicação de spray antibiótico, cicatrizante e repelente.

A vacina é indicada em rebanhos com diagnóstico clinico e laboratorial para pododermatite contagiosa, conferindo proteção aos animais por 4 a 12 semanas. A vacinação deve ser realizada em caprinos e ovinos antes da estação chuvosa (período de maior ocorrência da doença), com reforço 30 dias após a primeira aplicação. 
Ceratoconjuntivite contagiosa
A Ceratoconjuntivite contagiosa é uma doença que afeta as estruturas do olho de caprinos e ovinos em qualquer idade. Geralmente, no semiárido brasileiro, os animais desenvolvem a doença causada por vários microrganismos, como Chlamydia sp., Mycoplasma conjuntivae e Neisseria sp. A doença é mais frequente em épocas chuvosas, em situações que favorecem o aumento da população de moscas ou que desencadeiam estresse, como a aglomeração de cabritos e cordeiros em regime de confinamento. A infeção ocorre principalmente pelo contato direto entre animais doentes ou portadores com animais sadios e pela transmissão por moscas. Os principais sinais clínicos incluem lacrimejamento, inflamação da mucosa do olho, descarga lacrimal purulenta, olhos avermelhados, fotofobia, diminuição do apetite, febre moderada, e opacidade e ulceração da córnea e cegueira permanente, em casos avançados. O diagnóstico é baseado nos sinais clínicos da doença e no isolamento do patógeno. Os animais afetados devem ser identificados o mais breve possível para evitar a disseminação da doença no rebanho. Para o tratamento, o animal deve ser isolado, em seguida realizar limpeza do olho com solução fisiológica ou água filtrada fria, aplicação de colírio à base de tilosina e dexametasona (diluído na proporção de 80% tilosina e 20% dexametasona) três vezes ao dia, ou ainda pomadas ou spray à base de antibióticos de largo espectro e corticosteroides.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 12A. Animal com lacrimejamento, inflamação da mucosa e opacidade da córnea.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 12B. Animal com lacrimejamento, inflamação da mucosa e opacidade da córnea.
Artrite Encefalite Caprina (CAE)
A Artrite Encefalite Caprina (CAE) é uma doença crônica e debilitante ainda pouco encontrada em sistemas extensivos de criação de caprinos de corte no semiárido brasileiro. A principal fonte de transmissão é o colostro ou leite de cabras positivas, ou através de agulhas, tatuadores e material cirúrgico contaminado. Os sinais clínicos incluem artrite, mastite, problemas pulmonares e nervosos. Todavia, animais infectados podem não apresentar sinais clínicos visíveis e permanecerem por anos sem alterações perceptíveis. O diagnóstico laboratorial é realizado através da técnica de Imunodifusão em Gel de Agarose  (IDGA). Como medida preventiva e de manutenção do status livre da enfermidade, recomenda-se que o produtor mantenha o cuidado no momento da compra de animais exigindo o exame diagnóstico negativo, conforme consta na legislação estadual para emissão da Guia de Transito Animal (GTA). Da mesma forma, no caso de rebanho com pequena porcentagem de animais com diagnóstico positivo, recomenda-se o sacrifício imediato dos caprinos, além das medidas de bloqueia da transmissão como o uso de agulhas descartáveis e desinfeção de tatuadores. 
Clostridioses
As clostridioses são infecções e intoxicações causadas por bactérias do gênero Clostridium. Nas pastagens, sua forma de resistência chamada esporo pode ser encontrada infectante no solo por longos períodos, representando um risco à contaminação de caprinos e ovinos. Os animais acometidos apresentam depressão, ataxia e quadros diarreicos. Nos diferentes sistemas de produção, as enfermidades causadas por Clostridium ocasionam consideráveis perdas econômicas, uma vez que o tratamento não é viável na maioria dos casos. A vacinação do rebanho é a única forma de prevenção. O esquema de vacinação deve seguir o recomendado:

Ovelhas e cabras não vacinadas: vacinação contra clostridioses 30 dias antes do parto, reforço com 30 dias, e anualmente.

Cordeiros e cabritos filhos de matrizes não vacinadas: vacinação contra clostridioses aos 15 dias de idade, reforço com 30 dias, e anualmente.
Cordeiros e cabritos filhos de matrizes vacinadas: uma dose de vacina contra clostridioses na desmama, reforço com 30 dias, e anualmente.
Broncopneumonia
A broncopneumonia é uma doença respiratória que ocorre em caprinos e ovinos de todas as idades. É conhecida por causar perdas de animais jovens na fase de cria e recria em sistemas extensivos no semiárido nordestino, causando febre, tosse, inapetência, perda de peso, com redução no crescimento, fraqueza geral e diminuição da produtividade, sendo comum a morte dos animais debilitados. As infecções secundárias concorrem para apresentação de um quadro clínico abrangente, demonstrado pela presença de secreção mucopurulento, dispneia e, em alguns casos, óbito. Em animais jovens, uma medida de prevenção é a utilização de proteção que evite corrente de vento noturno, excesso de sol ou chuva que desencadeiam da baixa imunidade e favorecem as doenças. As demais medidas de manejo geral e sanitário também previnem a ocorrência da enfermidade. Os animais acometidos deverão ser isolados e tratados com injeção intramuscular à base de terramicina ou oxitetraciclina LA e anti-inflamatórios associados ou não a broncodilatadores e mucolíticos.

Doença de caprinos e ovinos em confinamento

Urolitíase
A urolitíase é uma doença frequente em reprodutores caprinos e ovinos no Semiárido brasileiro.  Geralmente, o distúrbio ocorre em função do desequilíbrio da relação de cálcio e fósforo (Ca:P) na alimentação, dietas altas em concentrados e baixas em volumoso, além da baixa ingestão de água pelos animais. Os sinais típicos da urolitíase geralmente são perda do apetite, aumento do ventre devido à presença de gases seguido de depressão, bruxismo, dor abdominal, bater dos membros anteriores e balançar da cauda, grande esforço para urinar poucas gotas coradas de sangue e dor à palpação da região peniana. Em reprodutores não tratados, o problema pode evoluir para ruptura da uretra ou bexiga em poucos dias. 
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 13A. Reprodutor caprino com modificação da postura e secreção purulenta na região prepucial.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 13B. Ovino com edema prepucial e orifício do apêndice vermiforme do pênis obstruído por urólitos.
O produtor deve agir de forma preventiva, procurando manter o equilíbrio de cálcio e fósforo, de modo que a ração apresente uma relação mínima de 2:1. A saliva também é importante na remoção do fósforo do organismo via rúmen e excreção nas fezes, por isso é fundamental manter sempre uma dieta balanceada com volumoso de qualidade que estimule a produção de saliva. O estímulo à ingestão de água pode ser realizado através do aumento da concentração de cloreto de sódio (0,5% a 4%) no concentrado. A administração de cloreto de amônia a 1% na ração, também é prática satisfatória para evitar a formação de cálculos.








18 de mai de 2018

Formação e manejo de capineiras e de pastagens para Caprinos e Ovinos



A produção de pequenos ruminantes na região Nordeste é caracterizada pelos baixos índices de produtividade dos rebanhos, decorrentes de deficiências alimentares, principalmente em função do prolongado período de seca. Essa limitação da produção de forragem na época seca do ano é agravada em virtude de a base alimentar dos rebanhos ser a Caatinga, causando problemas na produção de carne e leite. Justifica-se tal situação devido ao desconhecimento de tecnologias que possibilitem contornar tais limitações.
Durante o período seco, o pasto existente é de baixa qualidade nutritiva, levando os animais a necessitarem de longas caminhadas para suprir suas necessidades nutricionais diárias, implicando em consideráveis perdas de energia.
A adoção de tecnologias básicas, como o cultivo de espécies forrageiras adaptadas às condições climáticas do semiárido é uma das práticas que poderão ser aplicadas nos sistemas de produção no semiárido brasileiro para diminuir as perdas de peso ou de produção de leite na época seca.

Cultivo de forrageiras adaptadas ao semiárido

Várias são as espécies existentes de plantas forrageiras adaptadas ao semiárido para a formação de áreas para corte ou pastejo dos animais.
Em termos de produção animal, existem gramíneas que podem ser utilizadas para corte (capineira) ou pastejo. Por capineira entende-se uma área cultivada com uma gramínea de alta produção, utilizada sob cortes, podendo a gramínea ser fornecida verde picada no cocho imediatamente, ou então ser fenada ou ensilada para utilização posterior, em épocas críticas, destacando-se o capim-elefante, capim-paraíso e a cana-de-açúcar.
As gramíneas indicadas ao pastejo são aquelas plantas capazes de persistir na comunidade vegetal sob condições de pastejo. No Semiárido, algumas espécies forrageiras para o pastejo se destacam por possuírem características morfológicas ou fisiológicas peculiares que permitem sua sobrevivência, mesmo em condições de estresse.
Entre as espécies, destaca-se o capim-búffel, que, devido à profundidade do sistema radicular, possui habilidade de crescimento em locais com curto período de chuvas, além de possuir bom valor nutritivo e boa aceitabilidade pelos animais; o capim-gramão é outra espécie forrageira que apresenta excelente valor nutricional, sendo boa opção para a formação de pastagens cultivadas e enriquecimento de pastagens nativas, bem como para a produção de feno. Já o capim-andropogon é tolerante à seca e a solos de baixa fertilidade natural (BATISTA; GODOY, 1995). Entretanto, a entrada dos animais deve ser muitas vezes antecipada devido ao rápido crescimento do capim, acarretando em perda do valor nutricional; o capim-massai tem sido boa opção para o Semiárido, especialmente para o enriquecimento de pastagens nativas e diferimento na época seca (CAVALCANTE et al., 2014), devido à elevada quantidade de folhas produzidas em relação aos colmos, maior retardo na elevação do meristema apical, rebrotação predominantemente de gemas basais após o pastejo, maior proporção de perfilhos vegetativos em relação aos reprodutivos e boa aceitabilidade e valor nutricional.
No Nordeste, em algumas áreas mais sujeitas a encharcamentos ou alagamentos periódicos, tem sido utilizado com bastante sucesso o capim-canarana (CHAVES, 2012). Embora esta gramínea, sob condições normais, tenha um rendimento (produtividade) menor que o capim-elefante, nesses tipos de solo, ela produzirá mais que este último, já que o capim-elefante não é tolerante a solos sujeitos ao alagamento.
No Semiárido, há ainda a possibilidade de se utilizar áreas exclusivas de plantas leguminosas nativas ou não (plantas exóticas) adaptadas como bancos de proteína. Tais plantas têm a capacidade de permanecer verdes por algum tempo após o “fim das águas”. Com isso, os animais têm acesso à forragem verde e de alto valor nutritivo, diminuindo os prejuízos causados pela seca. Na região Nordeste, as leguminosas exóticas mais utilizadas são leucena, cunhã, gliricídia e feijão guandu por serem adaptadas e apresentarem crescimento rápido, possuindo elevado teor de proteína.

Formação e manejo de plantas forrageiras

Para formar uma pastagem e/ou capineira, primeiramente deve-se conhecer as características da planta que vai ser cultivada, com o intuito de garantir o sucesso de formação e de manutenção, promovendo produtividade e perenidade da pastagem, refletindo na obtenção de altos índices de produtividade animal.
Portanto, entre as características que uma planta deve ter para ser considerada de bom recurso forrageiro, destacam-se:
  • Bom valor nutritivo.
  • Elevado potencial de produção de matéria seca.
  • Bom vigor de rebrotação, com rápida recuperação após o corte ou pastejo.
  • Facilidade de propagação.
  • Resistência a pragas e doenças.
  • Rusticidade, ou seja, a capacidade de crescer bem, mesmo sob condições desfavoráveis.
  • Baixa estacionalidade de produção (ou possuir grande potencial para uso de conservação).
  • “Agressividade”, ou seja, alta capacidade de competir com as plantas daninhas que poderão surgir na área.
  • Tolerância ao pisoteio (no caso de plantas sob pastejo).
  • Acessibilidade (no caso de plantas sob pastejo).
  • Alta aceitabilidade.
Para a formação de uma área para cultivo de plantas forrageiras para pastejo, o produtor pode optar pela recuperação ou reforma de uma área já existente, ou implantação de áreas não desbravadas. Para tanto, algumas recomendações são necessárias para a obtenção do sucesso no plantio e uso de pastagens.
1. Visita da área: esta etapa tem como objetivo reconhecer totalmente a área e a sua aptidão agrícola. Deve-se escolher a área preservando matas ciliares que, por se tratar de área de preservação permanente de acordo com o Código Florestal Brasileiro, possui diversas funções ambientais, devendo ser respeitada a extensão específica de acordo com a largura do rio, lago, represa ou nascente.
2. Escolha da área: na segunda etapa, deve-se escolher as porções da área que têm aptidão agrícola à implantação de forrageiras para o pastejo. Deve-se observar quanto à fertilidade natural do solo, inclinação do terreno, dando preferência a áreas de relevo plano, e se está susceptível a alagamento, pois esses são itens que ajudarão na escolha da forrageira. Caso seja possível a confecção de silos, eles devem ser localizados próximo às instalações dos animais. Na escolha da área, deve-se fazer a coleta de solo para posterior análise, levando, se possível, um profissional qualificado para a orientação.
Seguem abaixo algumas recomendações para coleta de solo
  • Utilizar ferramentas limpas (trado).
  • Caminhar em zig-zag na área de coleta.
  • Misturar as 20 amostras simples em recipiente para formar amostra composta.
  • Armazenar parte da amostra composta em caixas ou sacos limpos e identificar o local, cidade, área, data de coleta, cultura a ser implantada, profundidade e fechar.
  • Encaminhar ao laboratório credenciado as amostras coletadas.
  • De posse dos resultados, realizar a interpretação e recomendação de corretivos e adubos, se necessário, com auxílio de profissional qualificado.
3. Escolha da forrageira a ser cultivada: a escolha da espécie forrageira a ser implantada está diretamente relacionada à seleção da área. Devem ser considerados os atributos de cada espécie, além de critérios relacionados à compatibilidade de suas diferentes variedades com a topografia e com as condições edafoclimáticas, bem como no nível tecnológico a ser empregado no manejo do pasto. Sempre que possível, é melhor escolher forrageiras com propagação por sementes, pois as desvantagens do emprego de mudas são a dificuldade de colheita, transporte e armazenamento, além do custo mais elevado do seu plantio (CASTRO et al., 2010).
4. Preparo da área: nesta etapa, objetiva-se melhorar a germinação das sementes e/ou de mudas, facilitando o desenvolvimento das raízes no solo, bem como eliminar as ervas daninhas. Em áreas para pastejo, devem-se manter algumas árvores, especialmente aquelas com potencial forrageiro que poderão eventualmente servir de alimento e serem utilizadas pelos animais para sombra. A retirada de algumas plantas deve ser feita para facilitar a mecanização agrícola, caso seja necessário. O preparo do solo deve ser realizado considerando técnicas conservacionistas, utilizando curvas de nível e plantio perpendicular à declividade do terreno e, se possível, a reposição de nutrientes da área com esterco e outros adubos orgânicos.
5. Plantio: deve ser realizado no início da estação chuvosa para que as sementes ou mudas possam ter um ambiente propício para a germinação, evitando solos excessivamente úmidos ou secos. No caso de ser instalado sistema de irrigação, recomenda-se a instalação após o preparo do solo. O método de irrigação por aspersão convencional ou mesmo pivô central em grandes áreas são os mais indicados em pastagens. Nesse caso, o plantio pode ser realizado em qualquer época do ano.
Atenção: caso haja dúvidas para a implantação da área, consultar um técnico da extensão rural.
Outros cuidados
  • Dependendo da espécie escolhida, o plantio pode ser feito através de sementes ou mudas. Os métodos de plantios por sementes incluem: covas, linha corrida ou a lanço, obedecendo à profundidade do plantio e o espaçamento entre sementes. Entre os métodos de plantio por mudas, destacam-se: sulcos, estaquia e cepas. A escolha do método de plantio por mudas vai depender da espécie a ser cultivada, devendo-se ter o cuidado durante o manejo do cultivo em relação à profundidade das covas ou dos sulcos; espaçamento entre sulcos ou covas; estado de conservação das mudas. Para o plantio do capim-elefante, por exemplo, são utilizadas estacas inteiras ou pedaços de estacas com três ou quatro nós em plantas cortadas com 90 a 100 dias de idade. As covas deverão ser abertas com distanciamento de 0,8 a 1,0 metros e as estacas deverão ser colocadas em duplas e em sentidos contrários.
  • Durante o plantio, deve ser realizada adubação com esterco curtido e com outros fertilizantes disponíveis na propriedade (compostos orgânicos, bagana de carnaúba, etc.), conforme a análise prévia do solo, quando o solo estiver úmido, devendo-se ter o cuidado de não colocar o adubo muito próximo à semente ou muda, pois alguns fertilizantes podem levar a semente ou muda à morte por desidratação.
  • Após o plantio, deve-se fazer o controle de eventuais pragas ou doenças, principalmente de ervas daninhas para evitar competição com a planta cultivada. A cultura deve crescer livremente cerca de 60-70 dias (dependendo do tipo de forrageira e do manejo) e após esse período, deve-se proceder a um corte ou pastejo leve para favorecer a formação de uma touceira mais densa e robusta. Outra forma de manejo pós-pastejo ou pós-corte seria preservar a primeira floração, proporcionando a produção de sementes, favorecendo o ressemeio natural.

Manejo de pastagens

O manejo de pastagens é realizado com os objetivos de maximizar o lucro do produtor, evitar riscos e estresses desnecessários aos animais e manter o equilíbrio do ecossistema. Dessa forma, os componentes práticos observados no manejo das pastagens são relativos às técnicas que levam a rápida rebrotação após o pastejo, manutenção da produção e vigor das plantas forrageiras.
Portanto, o sistema de pastejo, seja ele sob lotação contínua ou rotacionada, a frequência e a intensidade de pastejo, o ajuste do número de animais pela oferta de forragem disponível, a adubação de manutenção parcelada, especialmente com adubos nitrogenados e potássicos e o manejo da irrigação são de fundamental importância para garantir produtividade e perenidade do pasto (RODRIGUES; RODRIGUES, 1987).

Manejo da capineira

Para se tirar o máximo proveito da capineira, ela deve ser manejada visando à obtenção de altos rendimentos de forragem e de valor nutritivo e a uma melhor distribuição da produção forrageira durante o ano (GOMIDE, 1997). Sob esse aspecto, como na região Nordeste, o grande obstáculo para a produção animal reside na escassez de forragem na época da seca, o capim cortado na época chuvosa deve ser conservado sob a forma de feno ou silagem para utilização na seca.
No caso do manejo da capineira de capim-elefante é fundamental observar corretamente o intervalo de cortes. O corte deve ser feito rente ao solo quando a planta atingir 60 a 70 dias de idade ou quando atingir 1,70 a 1,80 m de altura (OBEID et al., 1984), sendo seguido de adubação, seja ela orgânica utilizando esterco, sja utilizando fertilizantes industriais.